sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

J. LISBON

J. LISBON

A verdade é que nem sei por onde começar. Acho que posso começar por dizer que não encontrei o João nesta vereda. Ou que ele não levava esta roupa vestida. Que fui eu quem lhe pediu que aparecesse antes que o sol se fosse, e que também fui eu quem lhe levou este casaco, estas calças e este par de botas. Numa altura em que tanta gente se questiona sobre a permeabilidade das publicações editoriais às dinâmicas comerciais, achei que era interessante esboçar a narrativa contrária. Meti na cabeça que haveria de criar um espaço comercial onde quem quer que lá passasse se arriscaria a encontrar conteúdos genuínos e informativos. Meti na cabeça que haveria de gerir uma loja sem esquecer a forma como geri este blogue.

Andei por sítios tão distintos quanto Madrid, Londres, Florença, Felgueiras, Vila Nova de Famalicão ou Charneca do Lumiar. Encontrei imagens deste blogue nos mood boards de marcas estrangeiras (onde as reuniões nem correram mal) mas também apanhei baldas e palmadinhas nas costas (depois de reuniões que não correram tão bem). E hoje, no preciso dia em que sacrifico a pureza editorial deste blogue, em prol do negócio cuja criação não seria possível sem o blogue que hoje se sacrifica por ele, apresento-vos o negócio que não poderia existir sem este blogue. Porque afinal, são frases idiotas como esta que poderão continuar a encontrar no tal negócio. Porque afinal, à semelhança daqui, encontrarão por lá ruas de Lisboa, modelos que não são modelos, produções caseiras e imagens por editar. E, de uma forma geral, a identidade visual que ficou imortalizada por esse universo de retratos aos quais se convencionou chamar street style. O registo visual que, à boleia de toda uma dinâmica online, transformou homens comuns em ícones de estilo e fez de retratos da vida quotidiana inspirações à escala global.

É apenas isto. Uma loja de roupa. Uma loja de roupa de homem. Uma loja de roupa que, à boleia destes 5 anos de Alfaiate, se deu conta que é possível oferecer uma real experiência de produto através da internet. Que é possível esboçar um processo online de descoberta do produto que não termine com a imagem de um tipo de medidas estandardizadas e cabeça cortada, fotografado contra uma parede em tom pastel. Que é possível descobrir um produto pelos mesmos padrões e contextos visuais em que haveremos de conviver com ele. Que é possível ler um review escrito por alguém que, muito antes de se sentar a debitar informação sobre um produto, o tenha calçado ou vestido. E que é possível assegurar o controle de tudo isto desde que me cinja à realidade masculina. Tanto assim é que, antes de assegurar a sua venda, comprei o casaco que o João leva vestido ao designer que o concebeu. Tanto assim é que, antes de sonhar escrever este blogue, já usava aquelas calças. É por isso que digo que olho para este negócio como se fosse o Alfaiate. O blogue que inspirou um negócio. Um negócio que se chama J. LISBON. Um negócio que espero que seja do vosso agrado. Porque, por mais que esteja convencido do seu interesse (e este blogue ajudou-me a perceber que a aprovação mais importante somos nós mesmos que a atribuímos) não há lengalenga que pague umas boas palmadas nas costas. Fica aqui o J. LISBON em primeira mão

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

segunda-feira, 23 de junho de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Disse-lhes:

_W2C1486

- Não estou aqui para fotografar mas vou fazer esta foto

segunda-feira, 19 de maio de 2014

segunda-feira, 28 de abril de 2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pitti Uomo (Michael, day-by-day)

Michael day 1
Michael day 2
Michael day 3
Michael day 4

Fui pela 1ª vez à Pitti Uomo. Uma marca pediu-me que fizesse imagens de toda aquela ambiência. A feira é brutal, há marcas interessantíssimas e visitantes também. Mas confesso que me senti esmagado por tantas câmaras, lentes e fotografias. De tal forma que tudo o que menos me apetecia fazer ali era fotografar alguém. Como se tudo aquilo estivesse, algures, nos precisos antípodas de momentos como este ou aquele. Como se tudo aquilo desconhecesse que é possível, de verdade, encontrar gente inspiradora no mais inusitado dos espaços. Num qualquer local do mundo onde quem quer que abordemos estranhe verdadeiramente o nosso pedido. Chegue até a desconfiar dele. Mas que depois de 30 segundos de conversa e um sorriso genuíno acabe a deixar-se fotografar por um estranho. Quando vi o Michael junto aquelas escadas achei que era das poucas imagens que poderiam ter sido tiradas fora daquela confusão, de todo aquele bulício, de toda aquela feira de vaidades com pêlos na cara. E quando, no dia seguinte, o vi ali outra vez, percebi que havia ainda outros dois momentos a registar e disse-lhe:
      Acredito que seja difícil de acreditar mas... as tuas fotografias são as únicas que quero para mim.
Apenas ele, em cada um dos dias que a feira existiu. Sem pompa, circunstância nem a mais leve edição. Sem esperar sequer que desocupassem a escada. Apenas ele, nas escadarias que o conduziam ao stand da marca da qual faz parte

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

5 anos


Todos os anos neste dia, ao acordar, puxo o portátil para o meu colo e venho aqui dizer-vos porque é que esta página é tão importante para mim. Não vos consigo explicar porque raio o adágio que decreta que não devemos deixar para amanhã aquilo que pode ser iniciado hoje mesmo não se aplica aqui e porque seria desprovido de sentido para mim ter começado a preparar este texto ontem, antes da data exacta, para assim me assegurar que hoje de manhã me limitaria a tentar eliminar todos os pequenos obstáculos ao seu melhor fluxo que escapam sempre numa primeira abordagem ao quer que se escreva. Não vos consigo explicar porque é que sabia perfeitamente que não precisaria de qualquer alarme para estar seguro que hoje, por volta das 7h, haveria de acordar, dar uma vista de olhos nas redes sociais e nas notícias do dia, responder a dois ou três e-mails, pagar as contas e, a dada altura, depois de terminar essa meia dúzia de tarefas corriqueiras, me dedicaria ao acto sagrado de vir aqui escrever este texto que, dou-me agora conta, também ele exprime uma acção e um propósito rotineiro, ainda que pautados por 365 dias de intervalo. Não vos consigo explicar porque é que hoje, voltarei a passar aqui meia dúzia de vezes e, em todas elas, voltarei a ler este texto e em todas elas procederei a pequenas alterações ínfimas das quais nenhum de vós se dará conta nem lhes reconheceria sentido. Como talvez não vos conseguirei explicar porque é que, à semelhança de mais uma ou duas outra datas na minha vida (mas mais ainda que todas elas juntas), à efeméride pessoal do 2º de Janeiro se me aplica tão bem aquele verso do Sérgio Godinho que ele próprio define como “frase batida”. Mas consigo perceber, melhor que nunca, o quão abençoado foi a decisão de criar um blogue. De criar este blogue. Hoje, dou-me conta da importância desta figura e daquilo que ela representa. Ela representa um espaço livre, gratuito e ilimitado onde, qualquer pessoa com acesso on-line, pode estar em contacto com o mundo. E parece-me que a maior parte daqueles que a ela recorre não se deu conta do valor que esta ferramenta tem, da transformação profunda que ela inscreve no mundo e no capital democrático que ela representa (há afinal, uma diferença enorme entre viver num país livre e, vivendo num pais livre, ter à disposição canais onde, efectivamente, se possa partilhar e veicular aquilo que mais nos inspira ou preocupa). A relação entre sujeito comum e mundo mudou radicalmente e hoje, nenhum de nós está destinado a ser um mero espectador ou consumidor de conteúdos. O sujeito está no centro de toda esta dialéctica e deixou de ser apenas o destinatário  dos conteúdos mas também o seu autor, editor e publicação. E o valor de mercado do seu conteúdo é encontrado no preciso ponto que melhor definir o valor que conseguir acrescentar aos outros. Pela minha parte, fica aqui a garantia que jamais condicionarei o que quer que seja nesta página para que esse ponto fique algures acima de onde se encontra agora. Mas importa lembrar que, não fosse esse vosso reconhecimento, e a localização – não importa exactamente onde – desse tal ponto que define o meu valor (ou a falta dele) e eu jamais poderia viver de ideias ou projectos que, directa ou indirectamente, nasceram com este blogue. É por isso justo dizer que, se a minha vida mudou radicalmente porque há 5 anos iniciei este blogue, ela mudou na precisa medida daquilo que cada um de vós tornou possível. Por isso, se venho aqui menos vezes, se vos parece às vezes que esqueci esta página, essa aparência deve-se apenas ao pequeno detalhe que jamais virei aqui por outro motivo que não a minha vontade. Mas sempre que o fizer, será com a tesão e o vigor de sempre. Com a certeza eterna de que não estarei nunca focado em vos agradar (mas eternamente grato pelo vosso agrado)